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Ouro para todos

Que pena, acabou! Com essa bela cerimônia de encerramento, bem brasileira, damos adeus à Olimpíada. A nossa Olimpíada.

Nem preciso dizer o quanto se enganaram as pitonisas do caos, sempre assanhadas a cada vez que o país enfrenta um desafio. Na Copa foi a mesma coisa. E fizemos uma grande Copa do Mundo, apesar do vexame da seleção.

Agora conseguimos o primeiro ouro olímpico no futebol. Foi um jogo suado, dramático, tendo de ir aos pênaltis. Parece coisa ensaiada por algum deus zombeteiro. O mesmo Neymar, que levara vaia e despertara suspeitas em jogos anteriores, fez a última e decisiva cobrança.

Isso vai resolver os problemas do futebol brasileiro? Claro que não. Mas deixa o clima mais desanuviado, talvez.

A vitória no vôlei foi sensacional. De arrepiar. Me emocionei demais.

Houve as derrotas. As mais doídas, a dos rapazes do basquete e a das moças do futebol.

Em compensação houve aquela primeira medalha olímpica com a Rafaela Silva. E depois a do Thiago no salto de vara. E as três da canoagem.

Não sejamos nacionalistas, pelo menos não de maneira tola. Olimpíada é fato internacional e gênios do esporte estiveram por aqui. Houve o momento Phelps, fantástico. E Bolt, o privilégio de ver esse jamaicano encerrar a sua carreira olímpica no Brasil, com três vitórias demolidoras, nos 100m, nos 200m e no revezamento.

Houve algum problema na organização? Sim, como sempre há em evento desse tamanho. Alguma baixaria? Que tal a dos nadadores americanos?

Vamos nos amolar com isso? Ora, faz parte. O importante é que a festa foi linda, mostrou competições históricas, que não vão sair da nossa memória. Quem gosta de esportes curtiu demais essas duas semanas.

Eu gostaria de ser otimista e dizer que, depois de tudo isso, estaríamos curados para sempre do nosso complexo de vira-latas. Mas não acredito muito nisso. Talvez seja um dado estrutural da nossa formação e não algo circunstancial como pensava o criador da expressão, um certo Nelson Rodrigues.

Ou talvez, e isso me ocorre agora, o Complexo de Vira-latas, uma síndrome de fundir a cuca do Dr. Freud, faça parte de alguma estratégia política mais sabida, para que o povo nunca desenvolva confiança plena em si mesmo.

Esse é o maior lugar-comum esportivo do mundo: quando falta confiança não dá para fazer nada, não se dá um chute certo, não se corre direito, não se encara nenhum adversário olhando-o nos olhos. Sem confiança, diria Nelson Rodrigues, não se atravessa nem uma rua para seu chupar um picolé.

Então talvez faça parte de uma estratégia do poder manter as pessoas sob eterna desconfiança em si mesmas. Condenadas ao
subdesenvolvimento. Despojadas da confiança em si, sentindo-se sempre inferiores, as pessoas tornam-se presas mais domesticáveis, facilmente manipuláveis por demagogos ou golpistas de todo gênero.

Dar um jeito nisso é mais complicado do que ganhar um ouro olímpico. É trabalho nosso do dia a dia, trabalho de gerações.

Mas já seria um pequeno (grande) passo curtir esse belo momento esportivo e vivê-lo plenamente. E a luta continua.

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E não é que deu Brasil e Alemanha na final?

A classificação do Brasil para a final olímpica foi mais fácil do que se supunha. Aos 14 segundos, a seleção já estava ganhando por 1 a 0, gol de Neymar, o mais rápido da história do futebol olímpico. Daí para a frente foi um baile, muito fácil, que terminou em 6 a 0. Ninguém imaginava tanta moleza, mas o fato é que a seleção evoluiu jogo a jogo. E chega à final em igualdade de condições com os alemães para disputar o ouro.

A Alemanha não teve a mesma facilidade ao derrotar a Nigéria por 2 a 0. Não se trata apenas do placar, menos elástico. O time olímpico tedesco não é nem de longe comparável àquele que aplicou 7 a 1 no Brasil durante a Copa de 2014.

Aliás, já tem gente dizendo que o Brasil estará “vingado” caso derrote a Alemanha na final e fique com o ouro.

Não é meu pensamento. São duas competições diferentes. Nem mesmo se o Brasil derrotar a Alemanha numa Copa do Mundo haverá compensação. Para haver, penso eu, o Brasil teria de golear, por 7 a 1 ou mais, numa Copa que estivesse sendo realizada na Alemanha, da mesma forma que a goleada a nós infligida foi aqui, na nossa casa. Pode acontecer algum dia. O mais provável que no Dia de São Nunca.

Tirando essas fantasias da cabeça, acho que dá para pensar numa final equilibrada entre os times olímpicos do Brasil e da Alemanha. Digo mais: se o Brasil jogar com aplicação e leveza (sim, dá para combinar as duas coisas) leva a medalha de ouro. Tem pelo menos boas chances de fazê-lo.

Que a goleada sobre Honduras não seja desculpa para o salto alto. E que a camisa do adversário não desperte nos nossos a síndrome de vira-latas.

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E as meninas do futebol perderam…com toda dignidade

Que chato! Foram de novo para os pênaltis e, desta vez, a magia de Bárbara não funcionou. Havia dado certo contra a Austrália, mas agora, contra a Suécia, não deu. É do jogo.

As brasileiras dominaram os dois tempos normais e os dois da prorrogação. Tinham mais posse de bola, mais volume de jogo, mas faltava certa intensidade para decidir. As chances foram poucas. Por outro lado, as suecas esperavam matar o jogo numa bola única, de contra-ataque. A estratégia ficou clara desde o princípio. Haviam aprendido a lição ao perder para o Brasil de 5 a 1 na fase de grupos. Mudaram a maneira de jogar. Era fazer um golzinho ou levar para os pênaltis e tentar a sorte. Deu certo.

Poderíamos falar de algumas individualidades. Marta não conseguiu produzir as mágicas habituais. Cristiane, que entrou tarde no jogo, ressentia-se da contusão. Formiga foi uma gigante.

O que dizer agora, que tudo deu em nada? Que as brasileiras jogaram e perderam com toda a dignidade. O esporte tem disso. É preciso saber ganhar e saber perder. Melhor perder que vencer na mão grande, usando expedientes ilícitos, fazendo gol de mão, apelando para lances antiético. São vitórias sem glória. A delas foi uma dessas derrotas que dignificam o esporte e as próprias derrotadas.

Que juntem os cacos e lutem, com igual dignidade, pelo bronze. Também vale.

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Brasil faz 2 a 0 na Colômbia e aproxima-se da disputa do ouro

Brasil 2 x 0 Colômbia Depois de jogo duro, Brasil mais perto da disputa do ouro

Depois de dois empates pífios (África do Sul e Iraque), a vitória fácil sobre a Dinamarca, o Brasil encontrou uma parada dura. E deu-se bem. Venceu por 2 a 0 a Colômbia e agora pega Honduras para chegar à final. Esse jogo repete, de certa forma, o embate da Copa do Mundo, no qual o Brasil também venceu mas perdeu Neymar e preparou o passo para o trágico 7 a 1 diante da Alemanha. Esperamos que desta vez o caminho seja diferente. Melhor nem pensar nisso.

A comparação limita-se à dureza do jogo. Os colombianos jogam bem. Têm um futebol ascendente no cenário mundial. E batem muito também.

Por sorte, Neymar abriu logo a contagem, marcando de falta,
aproveitando-se da barreira mal feita. Mas, depois de estar em vantagem, o Brasil mostrou momentos de instabilidade. Caiu na catimba do adversário. Houve violência e revide. A partida poderia ter terminado muito mal. Não havia espírito olímpico em campo. Havia rivalidade.

Já no segundo tempo, perto do final, Luan, aproveitando passe de Neymar, viu o goleiro adiantado e, com classe, o encobriu, garantindo a vitória.

Taticamente a seleção melhorou mas, é verdade, houve muitos erros durante a partida. Muitas vezes esse equipe jovem se porta como amadora, o que não é pois seus jogadores são quase todos titulares em clubes grandes. Mas é um time que carece de inteligência e malícia para conduzir o jogo quando este lhe é favorável. Desse modo, contra a Colômbia, correu riscos desnecessários. Deveria e poderia ter tocado mais a bola e se aproveitado do nervosismo dos colombianos.

Mas o outro lado é o seguinte: todo time para se consolidar numa campanha curta, precisa de um batismo. Um jogo duríssimo, uma batalha tanto física como mental, que una as partes e dê consistência ao conjunto. Essa seleção já teve o seu batismo, e este foi o jogo contra a Colômbia.

Na semifinal com Honduras entra como favorito, o que pode ser um problema. Do outro lado, há Alemanha x Nigéria.

Pode dar uma final Brasil x Alemanha. Já imaginaram?

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O Brasil desencanta diante da fraca Dinamarca e faz 4 a 0

Na resposta ao repórter, que irritou Casagrande, Gabigol disse que o Brasil havia jogado bem as duas outras partidas. A diferença é que nesta a bola havia entrado. “Não aceitou as críticas”, declarou Casão, que também as aceitava mal quando jogador. Agora, como comentarista, faz parte da corporação, que adora criticar e detesta ser criticada.

Firulas e disparates à parte, é óbvio que o Brasil jogou melhor desta vez. Nos outros jogos, os dois empates contra África do Sul e Iraque, também criou oportunidades. Mas, por detalhe ou nervosismo, não converteu as chances criadas. Contra a em tese mais qualificada Dinamarca teve a felicidade de abrir a contagem com Gabriel, o do Santos. Depois Gabriel Jesus, ainda do Palmeiras, fez o seu e tirou peso enorme de cima das costas. Afinal, é a grande promessa do futebol brasileiro e vinha perdendo gol em cima de gol. Mesmo contra a Dinamarca, antes de marcar, Jesus desperdiçou um gol incrível, por não confiar em seu pé esquerdo. Todo desequilibrado, resolveu arrematar com a perna boa e chutou para fora. Há que treinar fundamentos. E fundamento de atacante é bater com as duas.

Outro aspecto positivo foi que Neymar resolveu assumir o papel de líder. Quem lidera não pode sucumbir ao ego. Essa é a regra básica. Tem de jogar para o time. Os maiores fizeram assim. E, nesse jogo, Neymar, depois de vaiado em Brasília, jogou como capitão e líder. Não precisou marcar o seu para ser o melhor em campo. Distribuiu o jogo, orientou o time, deu passes. E contribuiu decisivamente para que o placar fosse sendo montado, com naturalidade. Dois gols de Gabigol, um de Gabriel Jesus e outro de Luan. E, pronto, o Brasil que estava desacreditado, passou de fase e em primeiro lugar no grupo.

A Dinamarca, goleada, também passou. Iraque e África do Sul empataram por 1 a 1 e morreram abraçados. Convenhamos: o grupo era fraco. Os dois eliminados não têm qualquer retrospecto no futebol mundial. A Dinamarca joga com o nome da antiga “Dinamáquina”, que deixou lindas lembranças, mas não formou uma tradição de bom futebol no país. Este time, composto de jogadores grandões (a acreditar na Globo, o mais baixinho tem 1,83m), mostrou técnica precária. Não ameaçou a seleção brasileira.

As mudanças táticas de Micale deram resultado, com Gabriel Jesus e Neymar trocando de posição e dando mais fluência ao ataque. Houve, acima de tudo, mudança anímica, com futebol solidário e mais intenso. Por sorte, o primeiro gol veio aos 25’ e tirou a insegurança do grupo. Confiança é tudo, ou quase tudo, e não apenas no futebol.
Tecnicamente, o Brasil é superior a qualquer um dos três adversários dessa primeira fase. Nos dois primeiros jogos, não conseguiu expressar essa superioridade e foi ficando tenso.

A torcida não ajudou, porque a torcida não ajuda mesmo. Desenvolveu uma relação consumista em relação à seleção. Se goleia, aplaude. Se tem dificuldade, deixa de ser solidária. Fica em silêncio, ou protesta. Quer show. Quer retorno do preço do ingresso. É assim, e não há o que fazer a respeito. Entramos na era do consumidor. Se o produto pelo qual pagou não é entregue, ele vai ao Procom.

O Procom do futebol é a vaia.

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Novo fiasco da seleção no 0 x 0 contra o Iraque

Você viu o jogo, não vou ficar descrevendo.

Ora, mesmo depois da péssima estreia diante da África do Sul, confesso que esperava um passeio hoje do Brasil contra o Iraque. Afinal, compare as tradições futebolísticas dos dois países. Compare a notoriedade (e salários) dos jogadores de uma e de outra seleção. Não dá para comparar, não é?

Mesmo assim, o que se viu foi uma seleção brasileira apenas esforçada, que suou a camisa mas atacou atabalhoadamente o tempo todo. Criou uma ou outra chance, mas chegou até a sofrer ameaças do modesto time iraquiano.

Como no primeiro jogo, este também teve o seu inacreditável gol perdido – Renato Augusto só, diante do gol vazio, chutou por cima. Digamos que não era um lance óbvio, a bola vinha cruzada e forte. Foi gol perdido. Mas isso seria esquecido caso o Brasil tivesse criado outras chances e marcado. Não fez. E não fez por merecer, mais uma vez.

As substituições não deram certo e encheu-se o time de atacantes, sem qualquer racionalidade na condução da bola. Prevalecia o desespero. A bola poderia ter entrado. Às vezes entra. Mas o desespero não costuma ser bom conselheiro e nem compensar.

Reações do público em Brasília. Apoio no início, depois perda progressiva de paciência e, por fim, vaias copiosas. Sobre Renato Augusto, durante quase o jogo todo, sobre Neymar no fim. Para o time todo, na saída.

Aplaudiram o Iraque no fim. Às vezes aplaudiam os iraquianos durante a parte final do jogo.

A seleção brasileira principal está em crise.

A olímpica também.

Ainda pode ser classificar, e avançar. No futebol tudo é possível. Já vimos equipes que começam capengando, vão indo adiante aos trancos e barrancos e acabam por vencer. Mas isso é raro.

O jogo contra a Dinamarca, na quarta, em Salvador, é de vida ou morte.

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Santos perde o rebolado e a liderança

Há o jogo e sua circunstância.

O Santos sofre sem os três convocados para a seleção olímpica. Ricardo Oliveira não jogou, por virose, e Lucas Lima está irreconhecível depois da contusão.
Tudo isso é verdade, mas o que não se entende é a falta de gana ao enfrentar o lanterna do campeonato, o América Mineiro.

Apesar do desentrosamento, o Santos jogava contra a equipe mais fraca da série A. E disputava nada menos que o título simbólico do primeiro turno. Tinha de suar sangue para vencer suas dificuldades e manter a liderança. Perdeu por 1 a 0 e a derrota foi merecida.

Em bom português, entrou de salto alto e perdeu o jogo.

Desse jeito não vai a parte alguma.

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